sexta-feira, 8 de março de 2013

Os filhos e os nossos medos...

Este tem sido o meu dilema ultimamente.
Primeiro, deixei-me invadir pelos medos, remorços e sentimento de culpa que fui vivendo nestes primeiros meses de vida na Suiça... tudo isto pelas mudanças que fiz e ainda faço passar às minhas crias...

Estes três piolhos não falavam uma única palavra de francês, nunca tinham lidado com tamanha mudança numa idade em que já sentem na pele todas as alterações que a vida "sofre".

Ultimamente há um chico-esperto na escola que bateu por três vezes no T. mais velho, ele nunca foi criança de bater e não gosta de confusões mas sempre foi ensinado também a ir ter com um adulto e dizer o que lhe tinham feito, mas desta vez, chegou a casa e contou-me que não o fez porque não sabia explicar e não se sabia defender verbalmente.
Alguém por aí consegue imaginar o que senti quando lhe ensinei "il m'a frappé"? Alguém por aí que já tenha vivido tal experiência? Preciso mesmo de conselhos que aqui a mãe galinha anda a ficar com o coração despedaçado...

Passo a vida a perguntar-lhes se se sentem bem, se estão felizes mas por mais que me digam que sim, sinto-me sempre com o coração apertado, sempre com medo de estar a cometer uma mudança demasiado grande na vida deles.

Sinto-me culpada por ter estado tão presente na vida deles enquanto trabalhei em casa e agora, nesta fase tão delicada, ter de voltar a estar mais ausente para trabalhar no exterior...

Espero que me perdoem, a ausência, a mudança, a insistência em querer saber se estão felizes, T's perdoem-me, apenas quero que saibam que dei e tentarei sempre dar o meu melhor para que vocês consigam ser uns adultos quase perfeitos e MUITO felizes.
A internet tem destas coisas boas, guarda palavras durante anos a fio e quem sabe um dia vocês não estarão por aqui a ler os medos que a vossa mãe faz questão de tentar esconder...

Hoje, não quero saber se é dia da mulher, até porque isso sou todos os dias, hoje quero apenas tentar acreditar que isto vai passar e que um dia direi que fiz a escolha certa.


Que sejamos sempre assim, unidos e que nos alimentemos da energia desta núcleo de cinco elementos...

6 comentários:

  1. Em Portugal, na Suiça, na China, no planeta Marte ou em qualquer universo, todas as mães têm o instinto de proteger as suas criaas!
    Eles são um pedaço de nós e o nosso coração sofre quando eles sofrem. Mesmo quando não sofrem estamos sempre preocupadas com eles!!!
    Tenham 1, 7 ou 30 anos! ;) ;)
    Tu és das MELHORES MÃES que eu conheço! E o facto de teres mudado de país prova isso mesmo: foste à luta para que nunca lhes falte nada!!! :)
    Um beijo muito grande e diz ao T para não ligar a esses parvitos!!! :)

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  2. Ó Ana,

    Agora fiquei com a lágrima no olho!!!
    Compreendi perfeitamente os teus receios, as tuas incertezas. Do que vejo no teu blogue, vocês são uma família muito feliz onde existe muito Amor.

    Tenho a certeza que os teus meninos, sabem que tudo o que os pais fazem é para o bem deles e para lhes darem uma vida melhor. Também é com adversidades que aprendemos muito da vida.

    E um dia, vais ver, que os teus meninos vos iram dizer que vocês são grandes pais e muito, muito corajosos.

    Um beijinho muito grande e um abraço com calor português.

    Maria João

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    1. Maria João, verdade que somos uma familia muito unida, que somos verdadeiros e amamo-nos todos de uma forma muito especial.

      Espero que os T's quando por aqui passarem vejam o quanto sempre os amei e que puderão sempre contar com os pais que têm e que tudo fizeram na vida para que eles sejam felizes!

      Um beijinho grande e sim esse abraço com calor português é sempre diferente ;)

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  3. "Alguém por aí que já tenha vivido tal experiência? Preciso mesmo de conselhos que aqui a mãe galinha anda a ficar com o coração despedaçado..."
    Sempre ensinei aos meus filhos nunca atacar ninguém. Mas a defenderem-se sempre que sejam atacados. Isto na teoria é muito bonito, tal como... se te fizerem mal vai dizer à professora. Como logico era o que devia se feito, e até certo ponto funciona. Até ao ponto em que a professora diz ao agressor, "he toi, arrete e va au coin" ( é tu, para e vai para o canto), e depois?... Depois o agredido, o meu filho, fica com nodoas negras, ainda é gozado, pelos outros, e o outro vai para o canto a rir até aparecer uma nova oportunidade para o agredir de novo.
    CHEGA, disse eu ao meu filho. A partir de hoje tens autorização para, assim que vires que vais ser agredido, fechares a tua mão e dares um bom murro no nariz do outro. De certeza que ele ou vai ficar surpreendido pela tua acção e vai recuar e dizer "é pa, é melhor ir chatear outro, porque com este arrisco-me a levar também", ou ele vai responder e vais apanhar mais algumas, mas se voltares a responder para a próxima ele vai pensar 2 vezes. De qualquer das formas é melhor ser ele o primeiro a fazer queixa à professora, pois por norma castigam sempre o acusado.
    Volto a dizer que não sou adepto da violência, mas posso dizer que quando voltou à escola, levou um pontapé sem razão, revoltado por a professora so ter dito "atention, la bas", voltou junto do outro, mandou-lhe um grande murro na cara, o outro foi a chorar para outro lado, nem sequer foi fazer queixa, e até hoje o outro diz lhe sempre bom dia.
    E preciso dar confiança às nossas crianças para que não sejam oprimidas. A minha maneira de pensar também mudou, antes dizia ao meu filho, "deixa estar, ele é burro, não sabe o que faz", com medo de chatear os professores e que eles dissessem, " é estrangeiro, e vem para aqui arranjar problemas", hoje digo ao meu filho, "parte-lhes os dente ou a cabeça, não tenhas problemas o pai paga tudo, mas defende-te". Claro que isto é so para lhe dar coragem, mas foi remédio certo.
    Mas coragem...

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    1. Engraçado vê-lo por aqui a ajudar-me, OBRIGADA!
      Honestamente as coisas melhoraram muito e estão bem mais calmas.
      Acho que os dois rúfias que são irmãos apanharam um grande cagaço quando eu e um pai fomos atrás deles pois tinham acabado de bater num miúdo ao ponto de o deixar deitado no chão a chorar.
      Miúdos que chegaram agora à aldeia e que achavam que tomando a atitude de rúfias iriam longe.
      E as minhas crias também passaram a ser incentivados a defenderem-se, mesmo a professora lhes disse que eles têm de lhe dizer mas assim que são agredidos têm de mostrar que se sabem defender. Assim, tem sido e espero que assim continue.
      Mais uma vez o meu obrigada!

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